14/2/13
Citação 6
| Meia-noite. Ao meu quarto me recolho. Meu Deus! E este morcego! E, agora, vede: Na bruta ardência orgânica da sede, Morde-me a goela ígneo e escaldante molho. "Vou mandar levantar outra parede..." - Digo. Ergo-me a tremer. Fecho o ferrolho E olho o teto. E vejo-o ainda, igual a um olho, Circularmente sobre a minha rede! Pego de um pau. Esforços faço. Chego A tocá-lo. Minh’alma se concentra. Que ventre produziu tão feio parto?! A Consciência Humana é este morcego! Por mais que a gente faça, à noite, ele entra Imperceptivelmente em nosso quarto! (Augusto dos Anjos, O Morcego, 214) |
Ao ler "O Morcego" achei muito aparecido com a obra de Edgar Allen Poe, "The Tell-Tale Heart" que me tocou quando o li pela primeira vez no colégio. O poder da culpa, ou como dos Anjos descreve em sua obra, "A Consciência Humana" de fazer o ser humano sentir vulnerável e que precisa de defesas. Essa luta de se livrar da consciência manifesta-se no verso "Vou mandar levantar outra parede..." e também no mesmo tempo serve para ilustrar a futilidade de tentar escapar desses sentimentos.
O uso freqüente da metonímia em "O Morcego" faz os sentimentos do poema muito mais forte. Na sexteto final deste poema quando exclame a narradora que a consciência humana é como um morcego. Usar a imagem de um morcego ajuda o leitor a sentir o peso que vem à noite e que por mais que tente fugir não consegue. O verso, "E vejo-o ainda, igual a um olho" que também usa metonímia contribui esta impressão de que a fuga é impossível que acho era sua intenção em escrever "O Morcego".
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